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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Aula de René Descartes I - Coleção Filosofinhos



Aula abordando o pensamento de René Descartes usando o livro desse filósofo da Coleção Filosofinhos (Tomo Editorial)*. Devido ao grande número de alunos em sala, contornei o problema escaneando as páginas do livro e foi preparado um arquivo em Ppoint para exibição coletiva, de modo que todos os alunos pudessem acompanhar os desenhos, os detalhes dos ambientes, e uma série de informações como segundo idioma, etc. Essa aula foi ministrada para alunos do 2º ao 5º Anos do Ensino Fundamental.


PARA PROFESSORES

Com o objetivo de levar aos alunos uma introdução ao pensamento de Descartes, iniciamos a aula explicando como ela seria conduzida, o que abordaríamos e como seria feito e a pronuncia correta do nome Descartes, que fica “Decart” porque, nesse caso, em francês não pronunciamos o “esse”. Após as orientações iniciais relembramos as regras básicas das intervenções. A aula foi dividida em duas partes; a primeira sendo a aula em sala e na segunda parte iríamos até a sala onde estava a lousa digital para ver a projeção do livro abordado em forma de Ppoint. Foi explicado que se não houvesse perda de tempo com conflitos na sala sobraria tempo para vermos um bônus no final (não foi explicado qual bônus seria).




Comecei a exposição falando quem foi Descartes, sua importância e porque estávamos estudando esse pensador. Passei em seguida para suas ideias e como ele chegou a resolvê-las. Usei muitos exemplos do dia-a-dia das crianças para mostrar os questionamentos do filósofo, e porque ele duvidava de tudo. Fiz referência às aulas de Mitologia Grega que tanto nos impressionavam (todos sentem medo da Medusa), mas que eram lendas, portanto não eram verdade. Na sequência contei que ele era um soldado do exército e que ficou dias preso em seu acampamento devido à neve que foi tanta que parou até a guerra. Enquanto os outros soldados bebiam e se divertiam ele ficou sozinho pensando todos esses dias. Com essa referência eles ficam interessados na história e esse foi meu "disparador" da curiosidade. Neste caso eu já fazia referência aos quadrinhos que ele veriam depois (Descartes "congelando" e todos brincando enquanto ele pensava), o que os fez interessarem-se pelos quadrinhos e quando os viam ligavam o que eu havia contado com as ilustrações. 

Então o filósofo começou a questionar o que mais poderia não ser verdade de tudo o que ele tinha aprendido durante a vida, fazendo referência ao célebre 1º parágrafo das Meditações com palavras adaptadas a eles  e sem citá-lo, é claro. A partir daí desenvolvi uma maior parte da aula dando exemplos de como podemos perceber que nossos sentidos nos enganam, e como podemos confirmar isso de vários modos, como colocar um cabo de vassoura em um balde com água para vê-lo “entortar-se”, e colocar as mãos em águas de diferentes temperaturas, saindo da gelada para a fria para perceber que a água “esquentou” e os conflitos que isso gerava entre o que a mão “sentia” e o cérebro “sabia” (o cérebro sabe que a água está gelada ou fria, mas a mão sente que está quente). Após explicar porque isso acontece pergunto o que mais eles também acreditavam antes, mas depois descobriram por conta própria que não existia. É claro que os exemplos são o Papai Noel, a fada dos dentes, coelho da páscoa, etc. Cabe aqui uma consideração sobre não esquecer de na aula seguinte colocar na programação para  começar perguntando quem fez as experiências em casa e quais foram as observações que fizeram, sendo este o mote para "disparar" o estímulo inicial.

Sugeri a eles que fizessem essas experiências em casa, acompanhadas dos pais, que depois realizei em sala de aula, nas aulas seguintes.

Em um segundo momento, após perceber que eles tinham entendido do que se tratava, comecei a comparar nossos sonhos e como eles nos enganam, e “chovem” exemplos. A partir dai desenvolvi os questionamentos de Descartes de modo que eles se sentissem parte dele e compartilhassem com o filósofo suas próprias dúvidas. Uma vez que todos entenderam as dúvidas do pensador é possível esclarecer a parte mais complexa da aula que é fazê-los entender a importância do cogito sum cartesiano (sem citá-lo, é claro), ou seja, depois de analisar que tudo era duvidoso ele passou a duvidar até que as coisas e seres do mundo (bem como ele mesmo) existiam.

Neste ponto percebi que ficaria confuso para eles se fosse seguida a dinâmica do livro, pois nele o filósofo duvida das coisas mas não questiona a sua própria existência, e assim falta algo para as crianças (ou para todos que desconheçam essa passagem importante do texto original) compreenderem a importância do "penso, existo". Fica um "nada a ver", pois elas entendem que ele chegou lá mas não fica claro que ele chegou antes a pensar que poderia não existir. Isso diminui a importância da coisa toda, trazendo confusão. 

Mas deixei claro que Descartes entende que, já que o nada não pode pensar, é necessário que haja alguém que pense essas coisas, portanto ele existe, e essa é sua primeira certeza, da qual derivam todas as suas outras certezas, por isso sua cara de feliz no último quadrinho. Ou seja, que o mundo e os seres existem de fato, mas ele continua não acreditando em mais nada que não possa ser comprovado pela razão. Falo que assim nasceu a ciência atual; pois para sabermos qual a temperatura das coisas precisamos inventar o termômetro e não confiar nas nossas sensações e opiniões.

Tendo conseguido desenvolver o que era esperado, fomos até a sala de projeção para poder ver o Ppoint do livrinho e ler juntos, de modo a reforçar e diferenciar a aprendizagem.



Nos 5os Anos para apresentar uma novidade coloquei na lousa como se escreve em latim a fórmula “penso, existo”, que foi logo escrita em muitos cadernos, pois eles adoram esse tipo de novidade. Também falei da obra Meditações, onde Descartes escreveu tudo isso e que tenho disponíveis no blog os dois primeiros capítulos (as duas primeiras meditações) disponíveis para quem se interesse em olhar o texto conhecer como o autor o escreveu, e me disponibilizei a orientar os mais aventureiros que quisessem se arriscar a lê-lo.

Ao final da segunda aula, como sobrou tempo eles puderam ver o bônus, que neste caso não tinha relação com a aula, mas com as atualizações de astronomia que procuro trazer e era um conjunto de várias imagens da lua em conjunção com Vênus tiradas no dia 08 de setembro de 2013 (da mesma semana). Tal bônus tem relação com as aulas de astronomia usadas nas aulas dos primeiros filósofos antigos, que estudavam a natureza, bem como as aulas do Universo em Transformação, e visam estimulá-los a admirar-se com a natureza e o universo.  Neste caso, foi dito a eles que fiz um post (Lua em Setembro) com essas imagens e disponibilizei neste blog para a turma.

Se você quer ver como foi a segunda aula, clique aqui.

Se você quer ler o texto original de Descartes clique aqui e siga as instruções.
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*Todos os direitos reservados à Tomo Editorial.
Hércules é uma animação da Disney.

2 comentários:

  1. Emerson
    Que trabalho minucioso, parabéns...
    E você que atualizado, em mostrar o fenômeno que ocorreu com a lua e Vênus, além das aulas serem dinâmicas.
    Que seu trabalho continue sempre assim, com qualidade.
    Att.
    Silvana

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  2. Obrigado pelas palavras... é sempre bom um incentivo... rs

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