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sábado, 23 de novembro de 2013

As Três Bananas


Aula: As Três Bananas

Nível: do 2º ao 5º Anos. Há casos em que o professor deva restringir para os 3º e 4º anos.

Objetivo:  Essa aula consiste em trabalhar os critérios de definição do que é “real” e “não real”.  Também visa acostumar as crianças a aplicar ferramentas do método filosófico a determinados problemas.

Duração: 1 aula, podendo ser continuada em outras aulas, se for o caso.

Material necessário: Três pratos de plástico, 1 banana natural, 1 banana artificial, 1 banana imaginária.
Esta aula foi retirada do site filosofiacritica.wordpress.com. Agradeço ao colega de Portugal, Tomás Magalhães Carneiro por permitir que eu a compartilhasse neste blog.

Evidentemente, as adaptações são consequência necessária para as condições de aula no Brasil, como quantidade de alunos em sala, o perfil dos alunos, tempo disponível, etc.

Desenvolvimento: Nunca é demais lembrar aos alunos que eles não podem tocar nos pratos e nas frutas. No caso das aulas que fiz com eles, a coisa se deu mais ou menos como segue. Inicia-se a aula colocando sobre a mesa ou carteira escolar os 3 pratos e as 2 bananas, mas dizendo algo como “Temos aqui 3 pratos e 3 bananas”. Diante das contestações e sorrisos, instigamos até que algum aluno diga que a natural é “de verdade”, enquanto as outras não, pois uma é de plástico e a outra é imaginária. Eis uma armadilha na qual o professor não pode cair, visto que se ele entender que a natural é a de verdade, ou apontá-la, a aula perde o sentido. Neste caso chamaremos a banana "de verdade" por "natural".

Assim começamos por perguntar aos alunos como (ou porque) eles sabem qual é a real. A partir desses motivadores pedimos que definam o que são coisas reais e não reais, fazemos uma tabela na lousa com duas colunas intituladas “Coisas reais” e “Coisas irreais” e nela colocaremos os critérios citados para cada definição. A primeira coisa que citam é que a banana natural "tem manchas". Além disso, alegarão que a banana de plástico não é de verdade porque é de plástico. Então na lousa, na coluna “Coisas reais” anotaremos "Tem manchas" e na coluna “Coisas irreais” anotaremos "É de plástico". Em algum momento eles alegarão que a fruta invisível não existe porque é invisível, o que levará à discussão sobre se estar na imaginação significa que é real ou não. Anotaremos na coluna "Irreais" "É invisível". E assim sucessivamente até que haja suficientes definições.


Mesa Três Bananas

Terminada essa fase, se isso ainda não tiver acontecido, o professor começa a pedir que os alunos lancem seus contraexemplos para que eles reflitam sobre as suas certezas. Por exemplo, na coluna "Irreais", onde está escrito "É de plástico", pedimos a eles que dessem um contraexemplo, algo que fosse de plástico e que existe. Logo surgem a carteira, a garrafa de água, e assim por diante. Então risca-se essa linha, pois ser de plástico não é garantia de não ser real. Na linha onde está escrito "Tem manchas", pergunta-se se for colocada uma mancha na banana de plástico ela se tornaria real. Diante dos "não!" risca-se a linha, e assim por diante. Ou seja, tira-se deles todas as certezas que tinham. 


Exemplo: Lousa Três Bananas 

Ao final o professor pergunta se alguém pode contestar as últimas definições dizendo algo que seja invisível, porém real.





Comentário do Professor: Por todo que experimentei em 2013 e pela opinião dos alunos, esta aula foi uma das preferidas deles e uma das que eu mais gostei de aplicar. É inegável que até os alunos mais dispersos se interessam pelo que acontece. Inicialmente, porque não há 3 bananas nos pratos. Além de, como eu disse, acostumar as crianças a aplicar ferramentas do método filosófico a determinados problemas, não há como negar o quanto ela trabalha com distintos estímulos imaginativos e lógicos. Geralmente essa aula passa muito rápido, tantas as intervenções e o ritmo que adquire. Conforme a turma ela levará mais ou menos tempo para esgotar as discussões para o tempo de aula.

Neste ano ela foi dada dentro de um contexto no qual estudávamos os filósofos antigos e como eles começaram a Filosofia questionando as opiniões estabelecidas e buscando definir critérios seguros e confiáveis para entender e explicar o mundo e o homem, e o que neles é real ou não real. Na semana anterior a ela, dei a aula “Coisas reais e não reais”, na qual investigamos esses critérios. Surgiram como coisas não reais bruxas, personagens das lendas tradicionais (no Brasil; Saci, Iara, Curupira, etc.), lendas urbanas como “loira do banheiro”, e até o bom velhinho Papai Noel não passou incólume. Apesar dessa “preparação” anterior, a aula Três bananas instigou a todos e mostrou o quanto nossas crianças são capazes de nos surpreender na prática filosófica.

Para quem quiser conhecer mais do trabalho do Prof. Tomás deixo os links para seu site e para essa matéria:

http://filosofiacritica.wordpress.com


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