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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Agradecimentos pela Prova da OBA

Gostaria de agradecer a todos, amigos, gestores e demais professores, que auxiliaram na aplicação da prova da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) 2015 em nossa escola Elizabeth L. C. Sigrist em Indaiatuba, SP, realizada hoje.  Esta é, sem dúvida uma grande e exclusiva oportunidade que damos a nossos alunos para participar de algo em nível nacional, algo que os uniu e motivou, e do qual eles terão orgulho sempre. Quero
agradecer também aos alunos pela disposição em participar, o que os faz trabalhar com suas capacidades e os habilita e enfrentar desafios. Muitas vezes fui cercado por vários deles, tirando dúvidas, fazendo suas maquetes, indo além do que lhes foi solicitado e mostrando a todos nós, educadores, que nosso papel vai muito além do que nos salta imediatamente à visão. Para nossos alunos, há conosco uma relação de confiança que nos obriga a ser com eles extremamente dedicados, sinceros e mais que tudo, honestos. 

Apresentasse-nos, ainda, talvez a maior das responsabilidades; jamais podemos cerceá-los, nem privá-los de exercer seu potencial. 

Esse cuidado exige muito de nós. Ainda somos seus mestres, que muitas vezes lhes abrem, mais que portas, as próprias mentes para novos mundos e expectativas, das quais eles antes não faziam ideia. Sempre lhes digo que são eles que construirão o futuro do mundo. Questiono a eles como fez Sócrates: "O que será que não sabemos que não sabemos?"

Da parte deles, lembramos que é necessário muita confiança em si mesmos e estímulo para que realizem essa prova. Além de prepará-los adequadamente, apresentando muito conteúdo e de várias maneiras distintas, precisamos acreditar em sua capacidade, mostrar-lhes a importância da competição saudável, que nem todos podem levar medalhas e que vale aí também a lema do espírito olímpico, deixado também pelos antigos gregos: que o mais importante é participar.


No nosso caso, especificamente, lembramos sempre a forte relação da Filosofia com tudo aquilo que nos faz admirar-se com o mundo, com suas dimensões e com tudo que nele há. Em muitos momentos, pudemos trabalhar, somente com a Astronomia e a Astronáutica, muitos mitos gregos, os nomes dos planetas relacionados aos deuses do Olimpo, posteriormente mudados pelos romanos para os nomes que conhecemos hoje. Pudemos mostrar, partindo dos questionamentos primeiros dos nossos ancestrais que moravam ainda em cavernas sobre a origem do mundo e do céu a seu redor, a criação dos mitos e das religiões primitivas. Milhares de anos depois, os questionamentos de Tales, com sua busca pelo elemento formador do mundo, passando por Aristóteles com seu universo em esferas e chegando a Galileu com o telescópio apontado para a Lua e ainda a Isaac Newton com sua Lei da Gravidade Universal, nessa busca incessante do homem pelo conhecimento, pela descoberta, por respostas.


Vimos que tudo que nossa sociedade usufrui hoje é fruto das buscas, inventividade e persistência de nossos antepassados. Vimos também que para que hoje tenhamos um simples celular funcionando, muitos cientistas morreram tentando produzir foguetes e satélites, e antes desses outros deram a vida para produzir o primeiro avião. Viajamos pela história de Santos Dumont, pelas guerras mundiais e pela posterior disputa pelo domínio do espaço promovido pela guerra fria, o que levou o homem à Lua, que antes deles muitos filósofos foram presos (como Galileu, por dizer que havia crateras na lua), perseguidos e mesmo mortos  por divulgarem suas descobertas (como Giordano Bruno, por dizer que o universo era infinito), coisas que muitas vezes iam contra as crenças vigentes. Isso tudo os torna maduros e conscientes de seu papel no mundo.

Trabalhamos também a relação do homem com o tempo e o espaço, e vimos que nosso tamanho e tempo de vidas são muito pequenos quando comparados com os tempos e tamanhos das coisas do universo. Nem mesmo nossa linguagem é suficiente para descrever o que intuímos. Vimos que a luz da galáxia mais próxima, Andrômeda, demora dois milhões de anos para chegar a nossos olhos. Assim percebemos que só vemos no céu o passado, e que o que hoje é presente, talvez nunca cheguemos a ver. Aprendemos a encontrar Vênus no céu e admirar a Lua. As vivências que tivemos nunca serão esquecidas.

Via Láctea - Foto de Miguel Claro - Portuga
Via Láctea - Foto de Miguel Claro - Portugal

Desse modo, percebemos nossa pequenez, o que nos leva a refletir sobre o que somos, o que é o ser, e o que é, de fato, a felicidade. Se somos tão pouco, tão pequenos e nossa vida tão breve, o que vale mesmo a pena na vida? Nosso orgulho por sermos mais e melhor que outros ou nossas amizades e as alegrias que essas nos permitem viver? 


Podemos desperdiçar nossa curtíssima vida com inutilidades? Aprendemos que somos Homo Sapiens Sapiens, o ser que sabe que sabe, que se reconhece no mundo, mas perdemos, lentamente, nossa capacidade de admirar-se com o esplendor do mundo, do belo e da vida.


Deixo abaixo imagens de nossos alunos fazendo a prova de hoje, em várias salas diferentes.














MUITO BEM!


Via Láctea - Foto de Miguel Claro - Portugal

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